sexta-feira, julho 25, 2008
Quer baixar a produção? Use transgénicos!
Em Abril de 2008, a Universidade do Kansas publicou um estudo que demonstra, depois de analisar a produção da cintura cerealífera dos Estados Unidos durante os últimos três anos, que a produtividade dos cultivos transgénicos (soja, milho, algodão e canola) foi menor que na época anterior à introdução de transgénicos. A soja apresenta uma diminuição de rendimento de até 10 por cento. A produtividade do milho transgénico foi em vários anos menor e em alguns igual ou imperceptivelmente maior, dando um resultado total negativo comparado com as variedades convencionais. Também mostram menor rendimento a canola e o algodão transgénico tomados em períodos de vários anos. (E, em todos os casos, as sementes são mais caras que as convencionais, pelo que a margem de ganho dos agricultores também é menor).
Este estudo corrobora vários anteriores. Em 2007, a Universidade de Nebraska descobriu que a soja transgénica da Monsanto produzia 6 por cento menos que a mesma variedade da empresa em versão não transgénica e até 11 por cento menos que a melhor variedade disponível de soja não transgénica. Outros estudos, inclusive um do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em Abril 2006, mostram resultados similares: definitivamente, os transgénicos não são mais produtivos.
A razão principal, explicam os estudos, é que a transgenia altera o metabolismo das plantas, o que em alguns casos inibe a absorção de nutrientes, e em general, exige maior energia para expressar características que não são naturais da planta, retirando‑lhe capacidade para se desenvolver plenamente.
A explicação da Monsanto face ao estudo da Universidade do Kansas, foi que «os transgénicos não estão desenhados para aumentar a produtividade» (The independent, 20/04/2008).
A Monsanto, a Dupont-Pioneer e a Syngenta são as três maiores empresas do mundo em transgénicos, e também em todo tipo de sementes comerciais. A Monsanto controla quase 90 por cento das sementes transgénicas, e, juntas, controlam 39 por cento do mercado mundial de todas as sementes, e 44 por cento das sementes sob propriedade intelectual.
Por que então estas empresas – que também são donas das sementes híbridas não transgénicas – fazem questão de vender as suas sementes que produzem menos e requerem mais agroquímicos? Em parte porque, além do mais, são grandes fabricantes de agroquímicos, mas sobretudo porque todos os transgénicos são patenteados e, por isso, a contaminação converte‑se num grande negócio.
As sementes híbridas também se cruzam com variedades nativas. Mas são cruzamentos de milho com milho, ao contrário dos transgénicos, onde o cruzamento contamina genes de bactérias, vírus ou qualquer outra espécie com a qual tenha sido manipulado. Mas a diferença fundamental para as empresas, é que, com os transgénicos, a contaminação é um delito imputável às vítimas.
Qualquer camponês ou agricultor que seja contaminado ou que use as sementes transgénicas que lhe foram compradas pela Monsanto e as volte a plantar (ou seja, exerça o “direito dos agricultores”) usa a sua patente sem permissão e comete um delito pelo qual pode ser processado.
A Monsanto já cobrou mais de 21.500 milhões de dólares através de julgamentos contra agricultores nos Estados Unidos (Center for Food Safety). Acaba agora de iniciar um julgamento mais agressivo, contra a totalidade da cooperativa de agricultores Pilot Grove Cooperative Elevador Inc. do Missouri. Segundo a Monsanto, não lhe são pagas suficientes regalias. O agricultor David Brumback, que se autodefine como «fiel comprador» dos transgénicos da Monsanto há anos, expressa a sua raiva e afirma que «para a Monsanto todos somos culpados» (CBS 4 Denver, EUA, 10/07/2008). É isto o que espera os agricultores do Norte do México, que pedem milho transgénico. E também os que não o queiram e sejam contaminados.
Uma vez no campo, a contaminação transgénica é inevitável, é só questão de tempo. As medidas que o vergonhoso “regime de protecção” propõe, esgrimidas pela Semarnat e pela Sagarpa, não são apenas limitadas e ignorantes. Directamente não fazem sentido, porque nunca se repetirão em condições reais nos campos dos agricultores, se for aprovado o cultivo comercial. As chamadas “experiências” são outra falácia, como a lei Monsanto e o seu regulamento, para legalizar às transnacionais a contaminação generalizada e a caça de agricultores, contra o coração dos povos e à custa do património genético mais importante do México.
Silvia Ribeiro *
La Jornada
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* Investigadora do Grupo ETC
domingo, julho 06, 2008
O capital que nos espreita
Era um punhado de jovens, activistas da associação ATTAC em Lausanne, que ti
nha decidido investigar as actividades de uma das grandes multinacionais suíças: a Nestlé. O tema não era inocente, porque não se tratava de ver como eram feitas papinhas para criar bebés sorridentes, rosados e gordinhos. Da investigação não iria resultar um cliché de publicidade sobre a empresa que mata a fome às crianças do mundo.
Pelo contrário: tudo levava a crer que a Nestlé ficaria mal na fotografia, que a sua voracidade pelos lucros poderia ser relacionada com a destruição de recursos naturais, com a perseguição de sindicalistas latino‑americanos, e em especial com a política de privatização da água.
Mas lá por a investigação ser preocupante para os administradores da Nestlé, isso não os autorizava a tratarem a ATTAC como potencial organização terrorista. Os tribunais e a polícia nunca poderiam, em todo o caso, fazê‑lo.
A Nestlé não esteve portanto com meias medidas: encomendou à Securitas uma operação de espionagem. A Securitas, por sua vez, contratou uma jovem que se apresentou com um nome falso ao grupo de trabalho da ATTAC, manifestou interesse e assumiu tarefas na investigação, insinuou-se no círculo de amizades pessoais do grupo, frequentou as suas casas, obteve listas de endereços de correio electrónico e endereços postais.
Um belo dia, quando a investigação estava concluída e se preparava a sua publicação em livro, a infiltrada desapareceu. Agora, anos depois, o caso foi desmascarado. A Securitas confirmou a infiltração na ATTAC e a polícia do cantão de Vaud admitiu, embaraçada, que tinha conhecimento da sua existência. Segue-se um processo judicial contra a Nestlé e contra a Securitas, bem como uma responsabilização da polícia, promovida pelos grupos parlamentares da esquerda, por ter permitido que se desenvolvesse uma operação em que era violada a privacidade de cidadãos e cidadãs que nada fizeram senão procurar a verdade sobre as malfeitorias da Nestlé.
Entretanto, o sindicato da polícia suíça tomou posição num comunicado de imprensa considerando escandalosa a cumplicidade da polícia neste caso. No plano nacional, ao abrigo da lei de protecção de dados, foi exigido à Securitas o esclarecimento de todo o assunto e a chefe do Departamento da Polícia pediu igualmente contas. Vários partidos políticos e organizações emitiram declarações e interpelaram o parlamento do cantão.
Fonte: Mudar de Vida
sexta-feira, julho 13, 2007
Mais um Desastre Ambiental em Aguas Espanholas
Desta vez o petroleiro de nome D. Pedro, afundou-se ao largo da ilha de Ibiza, apesar de todos os esforços de ontem para rodear a mancha de combustivel com cerca de 3,5 milhas de largo, foi colocada uma rede absorvente com 3500 metros de comprimento que ira (esperemos) impedir com que a mesma mancha chegue a costa de Ibiza.
Já foram interditas ao turismo, três praias (Salamanca, Ses Figueretes e Den Bossa) as autoridades ja recolheram 10 toneladas de combustivel, mas ainda falta o resto.
Segundo o director do Centro Metereologico Espanhol, a mancha de combustivel pode muito bem chegar a outros municipios.
Será que as autoridades espanholas aprenderam alguma coisa com o caso Prestige, esperemos que sim.
Será que desta vez, vai ser NUNCA MAIS
