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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Ninguém é ilegal!


Por volta das 15h30, soara o alarme. O SEF preparava-se para, ainda nessa tarde, proceder à deportação de mais alguns dos imigrantes detidos no Espaço de Acolhimento de Estrangeiros e Apátridas/ Unidade de Santo António, no Porto. Ninguém conseguiu chegar às instalações do SEF antes das 16h30 e, mesmo os que chegaram a essa hora, não viram ninguém a sair. Por volta das 18h00, a advogada de alguns de alguns dos detidos informou que já só estavam seis marroquinos dentro do CIT. A deportação vespertina já tinha tido lugar.
Por volta das 18h30 cerca de três dezenas de pessoas estavam junto ao portão de entrada do Centro, no seguimento de um apelo para uma vigília decidida às três pancadas na noite anterior, no seguimento das notícias sobre as primeiras operações secretas, e ilegais, de deportação. Distribuíamos um folheto, também ele definido em cima da hora, onde se questiona o ministro sobre as políticas de emigração europeias e onde exibíamos uma faixa com os dizeres: “Ninguém é ilegal”.
A vigília durou cerca de duas horas. Por volta das 20h30, o deputado do BE, José Soeiro, tentou visitar os imigrantes para lhes entregar as mensagens que tinham sido recolhidas entre as pessoas que se manifestavam. Foi-lhe dito que eles já estavam a dormir.

Cá fora, a assembleia dos presentes decidiu marcar uma reunião para a próxima segunda-feira, dia 28 de Janeiro, na CasaViva (Pç Marquês de Pombal, 167 – Porto) para programar e preparar uma manifestação para o dia 9 de Fevereiro, onde se lute pela alteração desta lei criminosa que protege de facto as redes mafiosas de tráfico de migrantes, onde se denuncie a brutalidade da actuação do governo português neste caso concreto e onde, enfim, se pugne por esse direito fundamental que é o da livre circulação de seres humanos, sem esquecer que as migrações têm causas e que, essas sim, devem ser alvo de combate internacional. Consigamos que a miséria e a fome se transformem em memórias do passado e poderemos deitar o Frontex ao lixo.

Antes de desmobilizarmos, subimos a rua e, em frente ao bloco onde eles estão detidos, tentamos comunicar. Obtivemos resposta. Durante cerca de 5 minutos, conversamos com eles, fizemos-lhes sentir que havia gente solidária, sorrimos ao ouvir o seu “Obrigado”. Findo esse tempo, eles terão sido calados, mas puderam-nos ouvir durante mais alguns minutos até que a polícia nos impediu de prosseguir.



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Texto distribuído

O PSEUDO-HUMANISMO DO SR. MINISTRO RUI PEREIRA

O ministro da Administração Interna, Dr. Rui Pereira, declarou ontem que considera que tomou a decisão correcta quanto à expulsão dos marroquinos detidos no Porto e que o fez em nome de valores humanistas. "Uma política que não distingue a imigração legal da imigração ilegal é uma política que a prazo está condenada ao fracasso e que paradoxalmente acaba por fomentar o próprio tráfico de pessoas", justificou.

O Ministério da Administração Interna e o Serviço de Estrangeiros têm gerido a situação de forma pouco clara. Ora evitaram o esclarecimento sobre a situação dos marroquinos detidos, chegando-se a falar de segredo de justiça, ora apressam-se a proceder à expulsão dos imigrantes sem sequer informar pelo menos uma das advogadas que acompanha o processo.

Perante a forma como todo o processo foi conduzido e a iminência de expulsão dos restantes imigrantes marroquinas, o conjunto de associações abaixo mencionadas gostaria de colocar ao Sr. Ministro as seguintes considerações e questões:

1 – Foram os cidadãos marroquinos informados acerca do direito que lhes assiste de requererem autorização de residência por serem vítimas de tráfico ou de auxílio à imigração ilegal (art.109.º da Lei de Estrangeiros), dando a protecção adequada e a possibilidade de colaboração em investigação relativa às acções de tráfico de seres humanos e auxílio da imigração ilegal? Isso, sim, representaria o cumprimento da Lei e seria uma actuação pautada por valores humanistas, pois impediria que estes imigrantes, estas pessoas concretas, voltem a colocar a sua vida em risco.

2 – Quais as possibilidade reais que são disponibilizadas pelo nosso país e pelos restantes países da UE com vista a permitir oportunidades de imigração legal a estes e tantos outros marroquinos, a estes e tantos outros africanos, a estes e tantos outros cidadãos "extra-comunitários"? Poucas ou nenhumas. Ou pensa o Sr. Ministro que as pessoas arriscam a sua vida em pateras por gosto?

Na verdade, as declarações do Sr. Ministro são pura demagogia. Não é no desrespeito dos direitos e de vidas humanas que se vão encontrar soluções para os desafios civilizacionais que a Europa enfrenta. O que a experiência tem demonstrado é que a repressão e securização das fronteiras, para além de só ter resultado no total desrespeito pelos direitos humanos, não tem vindo a resolver o problema da imigração clandestina. Só tem agravado os seus contornos.

Mesmo conscientes da importância da mudança de fundo nas políticas migratórias europeias, consideramos que ela não pode ser feita à custa do desrespeito pelos direitos legais e humanos dos imigrantes.



Fonte: sardera.blogspot.com

quinta-feira, setembro 13, 2007

Este fim de semana na Casa Viva

Este fim de semana na Casa Viva haverá Punk em Terrritórios de Guerra e apoio cinematográfico à luta contra os Transgénicos que, espera-se, terá algum impacto na cidade, na tarde de domingo.

A não perder.

quinta-feira, julho 26, 2007

punk português, 6ª feira, na CasaViva

6ª, 27 julho
19h00 entrada livre

punk português

100Talento
Punk Crust de Vila Nova de Sto. André, no Alentejo
www.myspace.com/100talentopunk

Sexo no anexo
Punk de Ermesinde
www.myspace.com/sexonoanexo

Mr Myiagi
Karaté Punk de Viana do Castelo
www.myspace.com/mrmiyagifastcore


casa-viva.blogspot.com/2007/07/punk-portugus.html


CasaViva
praça marquês pombal 167 Porto (bate o batente)

sábado, junho 02, 2007

Mais um Evento na CasaViva

punk-rock
6ª, 8 junho, 22h00 entrada livreduas bandas, dois concertos

Solecismi Pedestri
Os Solecismi nasceram em 2001 na cidade de Parma, no Norte de Itália. Desde então lançaram dois álbuns e um split CD com os amigos Killdaddies, que serve de aperitivo para esta primeira visita a Portugal. Punk-Rock rápido, simples e eficaz, influenciado por bandas como Ramones, Screeching Weasel e The Queers, cantado em Italiano, onde os concertos são sempre uma surpresa, com divertimento prometido

Azia
Os Azia surgem em 2003, na cidade de Barcelos. Punk-rock cantado em português, com atitude, in your face e sem ligar a nada nem a ninguém. A banda lança em 2007 o novo EP "que se foda", que sucede à demo "Olá!". Boa oportunidade para ver e ouvir as novas malhas!

CasaViva
Pç Marquês de Pombal, 167 – Porto

(bate batente)

segunda-feira, abril 30, 2007

Cine-Caravana Contra o Deserto Verde

Cine-Caravana Contra o Deserto VerdeQuinta,

3 Maio, entrada livre

Transnational Institute Rede Alerta Contra o Deserto Verde

A expansão da monocultura de eucalipto no Brasil e a luta pelo direito à terra.
A Rede Alerta Contra o Deserto Verde continua a resistir à expansão das plantações de eucalipto que expulsaram comunidades tradicionais eprovocaram um desastre ambiental no Brasil. Governos, Instituições Financeiras Internacionais (IFIs), acordos internacionais e empresas multinacionais influenciam, através de interesses económicos tendenciosos, a expansão da monocultura de eucalipto que intitulam de 'progresso'; no entanto, as pessoas afectadas chamam-lhe o Deserto Verde.Comparece para debates positivos, documentários sobre justiça ambiental, acções de resistência e alteração climática, e uma exposição, durante esta empolgante caravana multimedia, que reune cinco activistas brasileiros envolvidos nas lutas locais de resistência à expansão do eucalipto, com interesse em criar ligações com movimentos em Portugal e Espanha, de 28 de Abril a 3 de Maio de 2007.

Portugal
28 Abril - Café com Letras - GAIA, Cacilhas
29 Abril - Crew Hassan - GAIA, Lisboa
2 Maio - CES - GAIA, Universidade de Coimbra
3 Maio - Casa Viva - GAIA, PortoMais informações: gaia@gaia.org.pt 919090807 (Lisboa) 937267541 (Coimbra) 936333332 (Porto)

Casa VivaPraça do Marquês de Pombal, 167 - Porto
http://casa-viva.blogspot.com/

terça-feira, abril 24, 2007

O ciclo de cinema "Iraque – 4 anos de ocupação, 4 anos de resistência" ,
uma parceria entre a Casa Viva e o Tribunal do Iraque Porto, continua na sexta-feira

6ª, 27 abril

22h30 - "Beyond Treason"

Realizado por William Lewis e Joyce Riley, retrata o pós primeira guerra do golfo e o facto de grande parte dos soldados envolvidos sofrer de uma doença de stress pós-traumático, segundo o departamento de defesa dos EUA. Em função desta explicação não cobrir todos os sintomas verificados o mesmo departamento baptizou esta doença de "doença misteriosa".O objectivo principal deste documentário é mostrar o que realmente aconteceu no médio-oriente em meados dos anos 90 e como os soldados dos EUA foram expostos ao urânio empobrecido utilizado nas munições militares, facto sistematicamente negado pelo departamento de defesa dos EUA. Para além disto, "Beyond Treason" relata a história negra das experiências em humanos efectuadas pelo o governo dos EUA.Este documentário ganhou o prémio de melhor filme no festival internacional de vídeo e filme de Berkeley em 2005.


99 minutosInglês (não legendado)


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entrada livre

CasaViva
pç. marquês de pombal, 167 – porto

“Mortos da Vala Comum Ocupem os Jazigos”

“Mortos da Vala Comum Ocupem os Jazigos”
Sábado, 28 abril, entrada livre
21h30 - Concerto Diana :: Pedro
Não fazer canções para mais tarde recordar. Não fazer canções para decorar panteões. Não fazer canções para o lucro dos patrões. Não fazer canções para entreter coronéis. Não fazer canções para casar com anéis. Não fazer canções para enfeitar papéis. Não fazer canções para pedir perdões. Não fazer canções para a morte cantar. Fazer limões oh limões. (http://www.myspace.com/sethmaldito)
22h30 - Debate - "Cultura: basta de cereja, que é feito do bolo?"com Eduarda Dionísio e João Teixeira Lopes

terça-feira, abril 17, 2007

Chriss Sutherland 13-04-2007

O número 167 da Praça Marques de Pombal no Porto é local de uma iniciativa louvável. A Casa Viva - assim lhe decidiram chamar – é um belíssimo edifício ocupado pelos actuais responsáveis com o consentimento dos donos. Os ocupadores trataram de pintar paredes, arranjar a instalação eléctrica, entre outras coisas. Uma casa que de outra forma estaria a deteriorar-se cada vez mais é iluminada por pessoas que a enchem literalmente de vida e arte. Há também um lado politico e de protesto na Casa Viva. Há pelas paredes e pelas mesas cartazes e flyers que evocam manifestações em defesa da legalização da marijuana, que falam do comércio justo, que pedem o final do sofrimento nos circos, que apelam à construção de um melhor ambiente e de uma vida mais saudável; há também imagens da famosa reunião dos Açores que reuniu George Bush, José María Aznar e Tony Blair apelidando-os de assassinos.
A Casa Viva tem sido também ultimamente cenário de concertos. Com o dedo da cada vez mais activa Soopa (o colectivo que é banda, que é promotora, que é editora), Chriss Sutherland, fundador dos Cerberus Shoal, deslocou-se a Portugal para dois concertos: um no cada vez mais presente Mercado Negro em Aveiro e outro na Casa Viva. Foram quase 30 as pessoas que se deslocaram ao local para absorver a folk do norte-americano, mas não só. A acompanhar Chriss Sutherland estava Thérèse, o alter-ego escolhido pela espanhola Nerea Pérez Alvarez que partilha com o norte-americano algo mais que a paixão pela música.
A noite começou mesmo com as canções de Nerea na voz e no ukelele e com acompanhamento certeiro de Chriss Sutherland na flauta. Foram poucas as canções mas foram no mínimo interessantes. Há algo no minimalismo e na timidez das canções de Thérèse que cativa – especialmente quando esta canta em castelhano. O som do ukelele que a espanhola muito estima é acompanhamento perfeito para a sua voz, e não é comum ouvir este tipo de sons vindos de Espanha. Não desta forma. Agora que Nerea encontrou em Thérèse o veiculo perfeito para exprimir-se musicalmente (ela que já faz música há 12 anos), apenas faltará que tenha a coragem de se apresentar em nome próprio e, de preferência, numa actuação mais longa.
Mas Nerea não abandonou o palco quando a sua voz deixou de ser o centro das atenções. Quando Chriss Sutherland, na guitarra acústica e na voz, começou a apresentar aquelas que aparentaram ser as suas canções (que bebem no country e na folk), Nerea acompanhou-o com o ukelele, com a voz e com o acordeão. Canções igualmente intimistas e com algum peso da tradição. Canções com uma profundidade digna de registo. A certa altura há alguém do público que chega mesmo a perguntar a Chriss Sutherland se este conhece Woody Guthrie. Outras intervenções surpresa incluem o momento em que, do nada, dois homens seguram uma faixa branca onde se pode ler “Não à Europa do Big Brother”.
Chriss Sutherland está ao que se sabe num momento da vida em que tem tempo e coração suficientes para se dedicar a uma carreira a solo e os resultados são bons. Mesmo quando se viu em palco sem a assistência de Nerea já perto do final, o músico norte-americano conseguiu levar as suas canções a bom porto. Falou do Maine e terminou com uma canção sobre a pobreza, fechando com um tema adequado (tendo em conta os princípios da casa) uma noite em que valeu a pena ser uma das luzes de uma casa viva.


André Gomesandregomes@bodyspace.net