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sexta-feira, maio 01, 2009

Elementos radicais do Estado causam alarmismo social: segundo eles, o actual estado da crise pode ser perturbado por activistas anti-crise

Alguns elementos radicais do Estado, identificados com os corpos armados e de auto-defesa do Estado, estão a servir-se dos órgãos de comunicação social ( ver aqui e aqui) para lançar uma campanha de intoxicação sobre a opinião pública através de notícias que dão conta que nos próximos dias poderão ocorrer graves distúrbios que podem pôr em risco a proverbial tranquilidade e passividade do BOM POVO PORTUGUÊS.
Tais distúrbios poderão traduzir-se pelos seguintes acontecimentos:
- concentrações anormais de pessoas em jardins, ruas e praças públicas ( Nota: não fazer confusões com os magotes ululantes de estudantes em exercícios sado-masoquistas das praxes académicas, porque esses estão, como se sabe, legalizadissimos),
- distribuição de panfletos e manifestos ( Nota: nada de confusões com a vaga de jornais gratuitos distribuídos perigosamente em tudo o que é semáforo e paragens stop da via pública, porque esses não contrariam, como bem se sabe, o Código de Estrada),
- manifestações públicas (Nota: não confundir com as ruidosas noitadas e ajuntamentos no Bairro Alto e zonas urbanas similares, porque essas não são mais que prolongamentos imprevistos e imprevisíveis de reuniões privadas dentro dos bares e discotecas!).
Com efeito, segundo fontes por nós contactadas, aqueles elementos radicais do Estado manifestaram a sua perplexidade perante o crescendo descontentamento social que lavra pelo país fora, e temem pela segurança e certeza do estado a que as coisas chegaram.Confessam até que não vêem motivos para uma agitação popular, e que esta só pode ter explicação pelo activismo descabelado de agitadores profissionais, pagos a peso de ouro pelo terrorismo internacional que, confessadamente, escolheu o nosso país para destabilizar a crise económica e social que estava a evoluir de modo favorável nos últimos meses com um crescimento sustentado do desemprego, do galopante défice do orçamento público, do incessante encerramento de empresas, e da não menos crescente precariedade social, razões mais que suficientes para garantir uma duradoura continuidade da crise, continuidade essa que não pode nem deve ser prejudicada pela acção dos referidos agitadores que contestam e pretendem manifestar-se não só contra os sintomas e os efeitos da crise, como ainda contra as suas causas profundas, o que é interpretado como mais uma demonstração da mais completa irracionalidade dos tais elementos anti-sistema que não desistem, e pretendem, como perigosos fanáticos que são, manifestarem-se contra a CRISE, o que constitui, obviamente, um atrevimento e um desafio aos poderes constituídos, e poderá servir de precedente para outras veleidades futuras que podem até colocar em crise o próprio estado da crise.
Apesar de algumas objecções levantadas a conclusões tão definitvas por pessoas e observadores mais bem atinados, aqueles elementos radicais da mais poderosa organização armada legal do país persistem no seu alarmismo e declaram não terem dúvidas que o actual estado da crise pode estar em risco com a acção dos grupos e activistas anti-crise.
Nota final: qualquer semelhança desta notícia com a realidade não é mais do que pura e infeliz coincidência que mostra bem a que estado chegamos hoje: o das guerras preventivas, o das acusações preventivas, o das condenações preventivas, etc, etc

sexta-feira, abril 20, 2007

Porque hoje é Sexta-Feira

Porque hoje é Sexta-Feira

O Sr. Silva andava de um lado para o outro, como uma fera enjaulada.
- Que horas são isto? Ela que não há maneira de chegar e é quase noite.
Neste dia a Sócretina tinha adiado a visita ao Palácio para mais tarde. Num bilhete que enviou afirmava: Desculpa lá Anibalzinho, mas amanhã vou ter um dia muito ocupado, mas passo por ai mais para o fim da tarde.
A Maria que entretanto ia lavando um vidro da janela, abanava a cabeça disse:- Hoje andas que parece doido desde a manhã. Tem calma que ela já chega.
Vocês dois deviam era ter vergonha de serem unha com carne em tudo e em todo o lado. O que as pessoas devem pensar de vocês.
Nesse momento, quando o Sr. Silva lhe ia responder, toca a campainha e ele lança-se pelo corredor fora em passo apressado.
Abriu a porta e lá estava ela, toda rosa, toda afogueada de ter subido as escadarias a correr.- Sócretina, finalmente chegaste.
- Oh Aníbal, nem sabes o dia que tive hoje. Tanta coisa para fazer que não parei um minuto - respondeu a Sócretina.Sem a deixar entrar em casa, o Sr. Silva pegou-lhe no braço e dirigiram-se para o jardim.
- Mas afinal que andaste tu a afazer todo o dia? – Perguntou-lhe.
- Nem queiras saber. Com aquela merda de me andarem agora a chatear por causa do diploma de engenharia, tive de andar a por tudo certinho. O Gago telefonou-me aflito, a dizer que não ia ser pelos seus lindos olhos que a UNI não ia rebentar a bomba. Lá tive eu de ir à Universidade, mascarada de inspector, para sacar de lá o meu processo, não fossem encontrar mais alguma coisa. Só ai, perdi montes de tempo porque, como nunca lá tinha ido, perdi-me no caminho. Depois queimar meia dúzia de diplomas que tinha para lá. Era uma confusão e já nem sabia qual era o último que tinha mostrado na televisão. Aquilo estava tudo com notas e datas diferentes.
À hora do almoço ainda tive de telefonar ao Arouca para o avisar que lhe ia mandar mais dois ou três trabalhos de Inglês e para ele não se esquecer de os assinar com a data da altura.
Já tenho os meus assessores a faze-los.
- Mas Sócretina, tu devias mesmo tirar o curso. Podias aproveitar aquela coisa que agora há aí. As novas oportunidades.
- Depois ainda chumbada e então é que ia ser uma barrigada de riso do povinho. Nem pensar. Só se pedisse ao Vara que me escolhesse uns professores fixes que aceitassem os testes por fax.
- Já não andas farta disso de ser Sra. Engenheira? Não preferes ir lá para dentro para me fazeres uns projectos de resistência de materiais? – Disse ele com um brilhozinho nos

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